Crônica.
Será que ainda sabemos explicar e identificar perfeitamente o que isso quer dizer ?
É verdade. Ela é considerada por muitos estudiosos como a "sub-literatura", a "sub-cultura", a "sub-alguma-coisa". Mas, isso não passa de um tremendo equívoco !
Afinal, de que crônicas estamos falando ? Ah, sim.. Daquela, essa mesmo que você conhece tão pouco. Eu falo da crônica de raiz, a que possui a essência ideal de crônica. Não falo dessa forma banalizada que vemos hoje. Essa "coisa" vulgarmente nomeada como "crônica", mas que, na verdade, não passa de um conto quase sem sentido.
Eu falo de CRÔNICA. Aquele pedaço pequeno no jornal, tão banalmente cedido por eles, para que os grandes observadores e estudantes da vida pudessem escrever sobre aquilo que viam. E não sobre o que sentiam. Claro que nenhum escritor é ou foi imparcial: imparcialidade não existe. Mas, na crônica em essência, não falamos desses sentimentos tolinhos do ser humano.
Eu estou falando de CRÔNICA, não dessa mercadoria que fica na prateleira de qualquer livraria, dessas, espalhadas por esses aglomerados de cidade. Não falo dos produtos bonitos e brilhantes. Não falo dessa forma genérica de ser vivente.
Eu falo de olhar e escrever. Não de forma forçosa, mas de forma natural. A leveza da caneta correndo pelo papel. A vida dos transeuntes sendo maestralmente dilascerada por aqueles olhos sedentos de vida. Eu falo de Lima Barreto, de Adelino Magalhães. Eu estou me referindo a JOÃO DO RIO.
Não que eu tenha completa aversão as formas atuais, não diga essa bobagem. Mas, se formos parar para analisar o que a crônica foi um dia e pegarmos esse pedaço comercialmente vulgar dos jornais, percebemos que nada é como antes. A noção de crônica foi substituída por aquele disse-me-disse que nada não quer dizer. E, sim, eu estou falando que não acredito nas crônicas daquela Marta e nem nas daquele tal de Veríssimo. Eu sei, podem ser bem redigidos, bonitinhos e efêmeros.. Mas não são crônicas, nem discuta sobre isso.
Depois de João, de Lima e tantos outros, como pudemos perder essa raíz tão forte e que deveria ser a melhor forma de escrita de uma literatura, não apenas nacional, mas brasileira ? Como conseguimos ainda viver sem ver, ouvir sem analisar.. ? Depois de João, de Lima, somente tivemos a grandeza tamanha na arte da crônica em Nelson e José Carlos. Que absurdo !
Essa banalização, comercialização, vulgarização da crônica me fazem realmente pensar no dia-a-dia. Me fazem pensar em como as pessoas perderam o prazer de escrever sobre a vida, sobre a menininha na bicicleta na Lagoa, sobre o velhinho passeando em Botafogo.
Realmente a crônica não deveria ser chamada de sub-literatura quando encontramos esses caras como os caras. Mas, infelizmente, depois de um século inteiro transcorrido, os amantes da arte especial, na essência e na raíz, se questionam: será que realmente perdemos o senso e a direção ? Será que, de uma vez por todas, teremos que abaixar nossas cabeças e admitirmos que o que temos hoje não é crônica, e sim um disse-me-disse que nada não disse ?
sábado, 11 de outubro de 2008
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Calma, tudo está em calma ..
Não sei se deveria me expor mais uma vez em um veículo tão arriscado como esse. Não que eu me importe em escrever e mostrar o que penso, apesar de sempre me bater uma leve preocupação com plágio. Mas, talvez o que mais me deixe preocupada é o fato de me prender a mais um local aonde eu vou poder escrever minhas tortas palavras e narrar, para muitos, poucos ou só p. mim mesma, mais algumas Histórias de Ninguém ..
Eu me arrependo de escrever tudo que tenho escrito. E meus piores textos têm sido considerados os melhores. Os pequenos, aah, esses sim são os bons. Foram, corrijo-me rapidamente. Eu me arrependo de ter perdido tanto tempo falando de mim e escrevendo 'contos', eu sempre sonhei escrever crônicas.. Mas, eu não tenho essa capacidade tamanha de escrever sobre o outro. Sou egoísta, mesquinha, pequena (literalmente). Minhas mãos não são boas o suficiente p. fazer tocar na alma. Tudo que eu falo, há sempre um pouco de crítica, um leve descontentamento. O azedume do meu fel, sempre.
Mais uma saga se inicia.
Relendo e relembrando os mesmos velhos passos do ontem, que sempre voltam a se repetir.. Incessantemente. Inquietantemente.
Eu li e reli os meus ditos e ditos desses dois últimos anos.. E espero poder escrever melhor daqui pra frente: um pouco menos de dramaticidade, um pouco mais de pé-no-chão. Menos papo, mas objetividade.
E é dessa forma que, contra ou não, eu volto com as palavras feias e pobres de sempre.. Não p. te fazer vibrar, mas p. me alimentar o ego e confortar o coração.
Eu me arrependo de escrever tudo que tenho escrito. E meus piores textos têm sido considerados os melhores. Os pequenos, aah, esses sim são os bons. Foram, corrijo-me rapidamente. Eu me arrependo de ter perdido tanto tempo falando de mim e escrevendo 'contos', eu sempre sonhei escrever crônicas.. Mas, eu não tenho essa capacidade tamanha de escrever sobre o outro. Sou egoísta, mesquinha, pequena (literalmente). Minhas mãos não são boas o suficiente p. fazer tocar na alma. Tudo que eu falo, há sempre um pouco de crítica, um leve descontentamento. O azedume do meu fel, sempre.
Mais uma saga se inicia.
Relendo e relembrando os mesmos velhos passos do ontem, que sempre voltam a se repetir.. Incessantemente. Inquietantemente.
Eu li e reli os meus ditos e ditos desses dois últimos anos.. E espero poder escrever melhor daqui pra frente: um pouco menos de dramaticidade, um pouco mais de pé-no-chão. Menos papo, mas objetividade.
E é dessa forma que, contra ou não, eu volto com as palavras feias e pobres de sempre.. Não p. te fazer vibrar, mas p. me alimentar o ego e confortar o coração.
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