Eu ando um pouco cansada dessa vidinha meio parada (para não dizer completamente) que ando levando. Não sei, ano passado (especialmente o segundo semestre) foi tão movimentado, tantas festinhas, tantos eventos, que acabei me acostumando com os embalados de quintas, sextas, sábados e domigos a noite (sem falar, por vezes, das segundas, terças e quartas !), e, de repente, a vida começa a desacelerar.
Será que isso é bom ? Será que isso é ruim ? Idéia alguma faço.. E a única coisa que me arrisco em dizer é que esse tempinho parado abre margens muito grandes para que minha mente trabalhe incontrolavelmente. Confesso que pensar é uma coisa muito minha, é parte de meu ser, é o que sou. Mas, por vezes, eu queria pensar menos. Bem menos, para ser sincera.
Hoje eu recebi uma notícia pelo telefone. Já esperada. O que não era esperado era a minha reação, enfim. Não sabia o que falar (se é que eu teria que falar alguma coisa), não sabia o que fazer e, confesso que, depois dessa adorável notícia, eu não consegui mais falar ao telefone normalmente e minhas respostas foram um grupo de dois de respostinhas prontas: "sim" e "não". Eu sei, odeio quando as pessoas se tornam monossilábicas comigo, mas eu simplesmente não pude evitar a mudança de comportamento.
Esperado, não-esperado, esperado. Agora o que sabíamos apenas se concretizou. E por que tamanho susto ? Por que ficar tão surpresa com a coisa mais óbvia em tempos ? Não sei .. Há mais coisas nesse mundo e dentro de nós que podemos imaginar .. E, quanto mais a gente se prepara para a notícia (refiro-me as más, claro), mas cedo elas chegam e, quando chegam, a gente percebe que não adiantou nada todo aquele looongo período investido em suas terapias na mesa de bar, "quicando no calcanhar" ou pelos simples encontros com os amigos mais distantes pelo messenger.
A gente perde tempo e perde graça de viver depois de toda essa terapia fraternal. Os amigos estão ao lado para nos auxiliar.. E como é bom esse auxílio, esse amparo, essa proteção. Eles enxergam melhor que nós e, por isso, são os nossos melhores terapeutas. Mas, de nada adianta, porque a vida é mais que simples regra, é mais que puro treino, é mais que simples palavras de consolo e de conforto dos amigos. Ter eles ao lado é algo que transcede o físico, mas quando a verdade chega aos ouvidos.. BOOM ! De nada adianta. A gente esquece tudo que conversou com eles, a gente esquece tudo que prometeu fazer e, inexplicavelmente, age de forma torta, esquisita. Simplesmente não age, fica parado.
Foi assim com a notícia ao telefone mais cedo. Apesar da notícia ser algo totalmente esperado, não poderia imaginar que chegaria tão rápida. No momento que escutei a sua voz meio arrastada, meio fria e séria, percebi que alguma coisa tinha acontecido. No momento que escutei a confirmação daquilo que sempre soubemos que aconteceria, minha voz sumiu, minha garganta secou, meu nariz ficou vermelho, os olhos mareados de lágrimas. A voz ficou cortada e, por não querer demonstrar tristeza ou fraqueza, me mantive fiel ao "sim" e ao "não". Eu não queria passar a idéia de que aquilo era o fim do mundo, apesar de ser parte do fim do mundo. Mas a vida é assim mesmo .. E por isso me mantive quieta, um pouco estranha (é verdade), com a voz meio trêmula.
Eu bati o telefone com a maior força do mundo. Sentei na cama da minha mãe e ali permaneci quieta, sozinha, sem chorar. Mas estive imóvel, tentando absorver e digerir a informação que me foi transmitida antes mesmo do meu almoço. Eu não soube como agir. Eu queria gritar, correr, andar, chorar. Mas não. Me mantive firme, me mantive quieta. Permaneci serena, como nas outras vezes.
Confesso que ainda estou meio desnorteada com toda essa carga de informação. Admito que não imaginei que as coisas pudessem acontecer assim tão rapidamente. Mas foi dessa forma que me dei conta que não existe mais o "faz-de-conta" e, que, de fato, nunca existiu. Só existiu na minha cabeça, porque me convinha acreditar nisso. De qualquer forma, começo a separar a Terra do Nunca da Terra Real em que vivo. E assim eu vou crescendo e me desapegando progressivamente dessa minha síndrome de Peter Pan. A notícia foi boa porque agora, enfim, eu vou crescer.. Assim como todo mundo.
Chegando do almoço, com o olhar meio vago, fui ver meu dvd dos Los Hermanos. Sentei na sala de minha casa e, mais uma vez, me surpreendi com a minha atitude: não chorei. Tive vontade e estava resolvida a não segurar as lágrimas caso a tristeza estivesse ao ponto de transbordar. Mas não. Não chorei e foi ai que realmente percebi que menininha não é tão menininha assim. Ela começou a crescer um pouco e amadureceu um pouco os sentimentos. Fico menos sensível e mais realista. Talvez seja melhor para ela dessa forma: deixar um pouco o sentimentalismo do lado e dar atenção um pouco maior para a realidade e para a razão.
Não chorei e não vou chorar, acredito. E é dessa forma que vou tocando a vida, navegando o barco. Eu vou levando assim, até onde der, onde eu conseguir.. Mas, uma coisa é verdade: "o acaso é amigo (e sempre será) do meu coração".. E, sendo assim, um dia as coisas se acertam de novo, de formas distintas.