Meu Deus.
Passa dia, entra dia e cada vez que me pego p. escrever, só um assunto surge em minha pequena e humilde cabeça.
Não, não estou falando de amor, paixão ou coisas desse tipo.. Falo daquilo que, como já disse p. muitos e em muitos lugares, considero ser a maior das artes, quando falamos em Literatura.
Como há algum tempinho eu disse, é um absurdo a minha querida crônica ser considerada uma arte menor perante tooodas essas escolas literárias e essas formas bonitas e enfeitadas de escrita.
Ora, faça-me o favor e pare de falar bobeiras !
A crônica é tão rica quanto a poesia.. Besteira daqueles que acham que isso nunca pode (ou poderia) acontecer. Somos considerados inferiores (nós, leitores, e eles, cronistas) porque gostamos do simples, do direto, do cotidiano, da realidade ? Julgar-nos é o mais infeliz dos preconceitos. Somos a favor da poesia, da narrativa romantica e até de textos bem carregados de perfeição, daquela coisa que os estudiosos chamam de.. Como é mesmo ? Ah, sim, parnasianismo.
Refletindo dessa forma, falando em preconceitos e julgamentos, acabei por recordar de um preconceito parecido com esse, mas na música. E é quase a mesma coisa.. Por isso, podemos comparar o preconceito dos cantores líricos com nós, pobres mortais de canto popular. Ora, quanto preconceito! Não é porque não alcançamos os tons mais agudos e mais graves que nossa técnica seja "impura" ou somos péssimos cantores. Talvez, vendo pelo lado de uma cantora do popular (é, estudei na Escola de Música Villa-Lobos, como quase todos já sabem), eu poderia dizer p. os líricos, se eu tivesse essa "birra" com meus companheiros do lado de lá, que: nós cantamos bem, cada qual com sua técnica. Quem sabe nossa diferença seja no falsete, pois enquanto vocês se apegam à ele como fossem melhores amigos, nós cantamos sem ele, não forçamos nossa preciosa voz e nosso canto é mais "limpo".
Mas por que eu tô falando de música se comecei com literatura ou subliteratura (como alguns adoooram dizer)?
Ah, sim. Falávamos de crônica porque, além de minha paixão número um, eu estou maravilhaaada com o último livro que acabei de ler.
Encontrei-me com um amigo num shopping perto de minha casa, numa tarde de sexta (e chuvosa) para almoçarmos e conversamos sobre coisas da vida, mas sem falarmos de coração (esses assuntos sempre me deixam meio melancólica, e como o tempo já estava nublado, achei melhor não tocarmos no meu ponto fraco), e, sem mais nem menos, entramos na pequena livraria que esse pequeno (e inútil) shopping me proporciona. Não é assim uma MegaStore dessas que passo oras, mas admito que, para leituras rápidas e de livros best-seller e famosinhos, ele me cai bem que é uma beleza! Claro, gente.. Eu leio best-seller e alguns lixos também. Não ridicularizemos o famosinho e popular, pois eles podem ser mais interessantes (e inteligentes) que muitos títulos nobres e de alta literatura (vê-se bem o meu caso: comecei a ler um García Màrquez que foi rapidamente substituido por um Zuenir Ventura e, no final da leitura do livro do último, por destino, García ficou jogado em cima da mesa do meu computador, aqui na minha frente).
Mas o motivo d'eu voltar com esse xarope aqui não foi o Màrquez e nem o Ventura. O que me fez voltar a escrever foi a vontade de escrever por si só e, claro, anunciar um livro muitíssimo bem escrito e muito interessante.
Não gente, dessa vez eu não li João do Rio, apesar dele já estar fazendo uma enorme falta nos meus dias.. Até mesmo no exercício de flanar. Sem mais delongas, vim aqui apenas anunciar, e indicar para quem aprecia uma boa leitura, que existe um livro chamado "O Rei da Noite", de um escrito brasileiro chamado João Ubaldo Ribeiro, cronista do Jornal O Globo, para aqueles que não lembrarem dele somente pelo nome.
João Ubaldo já era admirado por mim por causa de "A Casa dos Budas Ditosos", que não li o livro, apesar de saber que é de alto nível, mas assisti a peça no meio do ano passado, e me diverti horrores. Não só pela peça em si, mas pelas gargalhadas bem dadas do meu acompanhante que achou a melhor coisa já vista em tempos. Confesso que achei interessante, mas fiquei mais interessada no livro.. Ainda não tive a oportunidade de ler, mas assim que tiver um tempinho, volto com essas minhas palavras inúteis para lhes narrar o que achei sobre o livro.
Bom, como já ia dizendo, João Ubaldo apareceu assim em minha vida. Antes ele era apenas um rostinho na propaganda do Jornal na televisão e eu sabia que ele escrevia suas crônicas semanais, mas como não sou de ler muito jornal, nunca me dei ao luxo de ler o que ele tinha para nos dizer.
Confesso que perdi muito tempo e muita sabedoria não lendo suas crônicas. Elas são de uma simplicidade, de um humor, de uma ironia que não via há muito tempo em crônicas hoje em dia. É verdade, todo mundo sabe como eu sou chata se tratando de crônica, ainda mais depois do meu "mini-curso de Crônica" lá na UFRJ, claro. Depois daquela primeira experiência e contato direto com o conceito dessa minha preferida, eu fiquei cada dia mais chatinha e sempre achei defeito em crônicas de grandes nomes, como é o caso do seu querido Veríssimo (me desculpe, mas eu não gosto dele, pois não acredito que ele escreva crônicas, apesar de escrever muitíssimo bem) e a Martha Medeiros (é assim que se escreve o nome dela?), que eu simplesmente não gosto. E ponto final.
Graças a essa minha mania horrorosa de ficar hoooras em uma livraria, eu acabei puxando da prateleira um livro que, aparentemente não me chamou atenção, pois achei a capa um pouco infeliz, comparada com a capa da Casa dos Budas, que é simplesmente linda, engraçada e original, mas logo após ler seu título fui direto ao autor. Não gente, eu não compro livros somente pelo autor, mas, dependendo de quem for, isso ajuda muito. Vendo o nome dele ali, grafado em vermelho, não tive medo de mais nada: peguei o livro em minhas mãos e disse ao meu amigo que levaria ele para "leituras de fim de noite", como costumo dizer.
Impossível seria sair da livraria com apenas um livro. Quem me conhece, ou quem já me encontrou saindo desses meus parques de diversão ou entrou em uma livraria comigo, sabe que eu compro, no mínimo, dois livros por vez. Um livro só é muito pouco.. Vai que ele é chato? Tendo outro você tem a opção de parar e ler o outro. Vai que ele é interessante demais e você o "destrói" em dois segundos?
Pois é. Esse segundo caso foi o que aconteceu em relação ao livro "O Rei da Noite". Eu simplesmente comprei ele ontem e ontem mesmo acabei de ler. Não quis sair de casa para mais uma noitada-zinha dessas e acabei me divertindo muuito. Eu e João (mais um João? Ê, laiá!), com suas ironias incríveis, sentada no chão da minha sala, junto com a minha caneca do coração, que acabou se tornando a preferida. Deus sabe por que.
Hoje acordei e já comecei o outro livro que comprei. Esse não é de crônica, mas eu nunca li nada dessa grande escritora e me surpreendi com o título do livrinho (leia-se que o uso do diminutivo, nesse caso, foi empregado para expressar carinho por um livro cuja capa é de uma inocência incomparável!): "Chão de Meninos", da Zélia Gattai. Mas, esse é papo para outro dia.
Sem mais delongas, sem mais por quês, deixo aqui anunciado que o livro é sensacional, rápido de ser lido e possui um humor irreverente. Deixo ai a dica.
E, do lado de cá, fico eu delirando com essas crônicas que são realmente crônicas e esperando que um dia alguém me entenda e entenda que esses preconceitos são pura bobagem !
beijoos, beijoos !
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